Símbolos Judaicos

 

Menorá                                                                                               

 
A Menorá é um candelabro de sete braços, originalmente projetado em ouro batido e puro, feito por Moisés para ser colocado dentro do  Santo Lugar  (área intermediária do Tabernáculo, entre o Átrio Exterior e o Santo dos Santos) juntamente com o Altar do Incenso e a Mesa dos Pães da Proposição. É, sem dúvida, o principal dos símbolos judaicos e o mais difundido, devido a sua origem verdadeiramente bíblica.

Moisés seguiu o modelo mostrado pelo próprio D-us: “Atenta, pois, que o faças conforme ao seu modelo, que te foi mostrado no monte” Êxodo 25:40. Existe uma crença de que simboliza os arbustos em chamas que Moisés viu no
Monte Sinai (Êxodo 3). Vemos na Bíblia (Zacarias 4:1-6, Isaias 11:1-4, Apocalipse 1:4-13) que a Menorá é uma espécie de representação física do Espírito de D-us.
A Menorá existia tanto no Tabernáculo quanto nos primeiro e segundo Templo de Jerusalém. No ano 70 d.C., com a invasão romana a Jerusalém e a destruição do Templo, foi levada pelo exército de Tito Vespaziano para Roma. Este fato é retratado em forma de relevo no Arco de Tito. Alguns pesquisadores argumentam que teria sido levado para os porões do Vaticano, estando hoje sob a posse da  Igreja Católica Romana , mas não existem provas a esse respeito.
 
Talit
 
O Talit é um acessório judaico em forma de xale feito de seda, lã ou linho, tendo em suas extremidades as “tsitsiot” (plural de Tsit Tsit), traduzido para o português como “franjas”. Ele é usado pelos judeus como uma cobertura na hora das preces, principalmente no Shacharit (orações da manhã) e na sinagoga no momento dos serviços.
O princípio bíblico que há no uso do Talit é o de lembrar-se dos Mandamentos de D-us, visando cumpri-los, uma vez que, cada “nó” feito nas tsitsiot (uma espécie de cordões colocados nas bordas do Talit), simboliza um mandamento, (Números 15:37-41).
 
Yeshua Há Mashiach (Jesus, O Cristo) usava Tsitsiôt em suas vestes, como pode ser notado no episódio relatado em Mateus 9:20-21. Aquela mulher via nas franjas das vestes de Yeshua um símbolo de poder; isso mostra que o poder de Yeshua estava, também, relacionado à sua obediência aos mandamentos do Pai. Um fato contrário a este ocorreu com o rei Shaul (Saul) que teve tais franjas cortadas por Davi (I Samuel 24), uma demonstração, por parte de Davi, que tais franjas não estavam surtindo o efeito devido na vida de Saul, pois ele se tornara num transgressor dos mandamentos do SENHOR.
Embora, o mandamento bíblico determine que as franjas sejam colocadas nas vestes, para um provável uso em tempo integral, foi necessário então criar uma forma diferente daquela usada nos tempos bíblicos, visando o uso apenas em momentos especiais, visto que seria muito difícil usar tal acessório em ambientes públicos durante a diáspora, vivendo em terras estranhas; provavelmente seria motivo de zombaria por parte dos gentios que não conhecem tal mandamento bíblico. Além disso, tornaria mais fácil a identificação em tempos de perseguição, fato que é quase constante na trajetória dos judeus.
Numa tentativa de solucionar essa questão criou-se um outro tipo de Talit denominado “Talit Katan” (Talit Pequeno), que é utilizado por baixo da roupa na qual se está vestido, a fim de cumprir este mandamento durante o dia inteiro.
Adonai, pela sua grande misericórdia, sabendo que viriam tempos difíceis, deixou escrita uma palavra que, ao que parece, dá legalidade ao modo como se busca cumprir hoje esse mandamento: “Deuteronômio 22:12 - Franjas porás nas quatro bordas da tua manta, com que te cobrires.”

Algumas Comunidades Conservadoras e Reformistas permitem o uso do Talit em mulheres, apesar da lei judaica tradicional isentá-las dessa obrigação.
A bandeira do novo Estado de Israel foi inspirada no Talit, à qual foi acrescentada o Escudo de David ao centro.
 
 
Shofar
 
O Shofar é um instrumento muito simples, confeccionando a partir do “Shefer”, que pode ser traduzido como “Chifre”. Por causa do episódio do bezerro de ouro tradicionalmente utiliza-se chifres de carneiro, nunca de boi. Atualmente usa-se também chifre de antílope africano na confecção do Shofar Iemenita (utilizado por judeus do Iêmen). Apesar de sua simplicidade, não é um instrumento fácil de tocar, é preciso uma boa dose de habilidade para produzir um bom som.
 
O Shofar é muito importante profeticamente falando, segundo relatos bíblicos, esteve presente em momentos decisivos na história de Israel.
A primeira fez que se faz menção ao Shofar nas Escrituras é no evento do monte Sinai: (Shemôt/Êxodo 19:16).
 
A palavra que foi traduzida por ‘Trombeta’ nas versões cristãs das Escrituras é a palavra hebraica Shofar (plural shofarim), (não confundir com a “trombeta de prata” citada em B`midbar/Números 10).
De acordo com o relato do ocorrido no monte Sinai existe uma relação entre a voz do Shofar e a voz de Adonai (Êxodo 19:19). A palavra clamor ou sonido, no hebraico, significa “voz”.
 
O livro de Apocalipse confirma essa ideia ao dizer: “Achei-me em espírito, no dia do SENHOR, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta (Shofar)...” - Ap. 1:10.
 
De acordo com alguns relatos Bíblicos o Shofar era usado, em determinadas ocasiões, com propósitos definidos: No Jubileu, por exemplo, era anúncio de recomeço e restituição - Vayikrá/Levítico 25.8-9. No início dos meses (Rosh Chodesh) e especialmente na festa do Yom Teruá (dia do toque), conhecido como Rosh HaShaná, era usado para convocação da comunidade.
“Tocai o Shofar em Sião, santificai um jejum, convocai uma assembléia solene” (Joel 2.15).

Para anunciar a coroação de um novo rei tocava-se o shofar: (I Reis 1.38-40).
Também se tocava o Shofar quando era preciso chamar o povo ao arrependimento; invocar o socorro de ADONAI em tempos de guerra e grandes conquistas.

A Brit Chadashá apresenta o Shofar como instrumento de anúncio de conquista, ressurreição, redenção e juízo - Mateus 24.30-31; I Coríntios 15:52; mostrando-nos assim que, um simples e rústico instrumento, pode trazer consigo um simbolismo bem mais profundo do que imaginamos, visto que, conforme é dito em Hebreus 8:5, muitas das coisas apresentadas a Moshé (Moisés) no Monte Sinai eram sombras de realidades maiores no mundo espiritual.
 
No Menu “Artigos e Estudos” deste Site o leitor encontra um artigo chamado “Kôl Shofar (Voz do Shofar)” onde é feita uma abordagem mais profunda a respeito desse assunto.
 
 
Escudo de Davi
 
O Escudo de Davi(conhecido popularmente como Estrela de Davi), (em hebraico, Magen David), é um símbolo em forma de estrela formada por dois triângulos sobrepostos e iguais, um apontando para cima e outro para baixo, utilizado pelo judaísmo. É também conhecido como "Selo de Salomão".
A palavra “Magen” significa escudo, broquel, governante, defesa, homem armado; refere-se também a um objeto que proporciona cobertura e proteção ao corpo durante combates em guerra.

O Escudo de Davi é umsímbolo tradicional judaico cuja autoria é atribuída ao rei Davi que governou Israel por volta do século X a. C. Acredita-se que os dois triângulos simbolizam o relacionamento do homem com D-us e de D-us com o homem, na perspectiva de Davi.
Segundo a tradição judaica, este símbolo era desenhado sobre os escudos dos soldados de Israel. Esta tradição teve origem no fato de o nome hebraico de Davi ser escrito originalmente com três letras do alfabeto hebraico: “Dalet, Vav e Dalet” onde, duas delas, o Dalet, tinham a forma triangular no alfabeto hebraico usado naquele tempo, que recebeu influência direta do alfabeto fenício. Acredita-se que estas duas letras eram encravadas nos escudos dos soldados uma sobreposta a outra, formando uma espécie de estrela.
O escudo de Davi não tem origem bíblica e tem sido, por muitas vezes, usado de modo errado por muitas pessoas, que atribuem significado místico ao mesmo. Isso acontece, segundo alguns pesquisadores, desde muitos séculos atrás.
É preciso lembrar que este, assim como outro símbolo qualquer, não tem poder nenhum em si mesmo, e não pode, jamais, ser usado como amuleto ou coisa parecida. O Judaísmo Messiânico o utiliza apenas como um símbolo nacional judaico, uma vez que faz parte, inclusive, da Bandeira, o símbolo maior do novo estado de Israel estabelecido em 1948.
 
 
Chanukiá
 
A Chanukiá é um candelabro de nove braços, usado durante os oito dias da festa de Chanuká (Festa da Dediçação), também conhecida como Festa das Luzes. Nesta festa, os judeus de todo o mundo comemoram a rededicação do Templo de Jerusalém sob a liderança dos Macabeus, no tempo do domínio Grego por volta do século II a.C.

A Chanukiá não tem origem bíblica, ela é fruto de uma tradição judaica, relatada no talmude, onde, segundo tal tradição, uma quantidade de azeite que duraria um só dia, queimou durante oito na Menorá do Templo rededicado. Este é o motivo dos nove braços da Chanukiá. O braço do meio, o mais proeminente, é denominado “Shamash” (servente), pois nele é colocada a vela usada para acender as demais que são colocadas nos outros oito braços, uma para cada dia da festa. Durante os oito dias de Chanuká acende-se uma luz no primeiro dia, duas no segundo e assim sucessivamente.
 
 
 
Rolo de Torá (Sefer Torá)
 
Um Rolo de Torá contém os cinco livros de Moshê (Moisés) escrito à mão no hebraico original, sem pontuações, vírgulas, pontos, números de capítulos ou versículos. É escrito à mão por um escriba, com pena e tinta especial, em pergaminho cuidadosamente preparado, proveniente da pele de um animal kasher (puro). O pergaminho é enrolado ao redor de duas hastes de madeira adornadas e suas cópias geralmente são feitas dentro de rigorosas regras de composição.
A Torá constitui o texto mais importante do judaísmo, é tradicionalmente guardada nas sinagogas em uma Arca construída para esse fim, e aos sábados é rotineiramente lida em alta voz. A Torá em rolo, modernamente, é usada para fins litúrgicos. Para outras formas de leitura usam-se suas versões impressas em livros, conhecidas como Chumash.
O termo Torá, no hebraico, significa mais precisamente instrução ou ensinamento. Entre os cristãos, porém, o termo mais comum é “Pentateuco” ou “Lei de Moisés”. O termo “Pentateuco” tem origem na antiga tradução das Escrituras Hebraicas (Tanach), (conhecido como Antigo Testamento na terminologia cristã) para a língua grega, conhecida como “Septuaginta”, a qual deu origem às versões latinas das Escrituras Hebraicas.
 
Essa designação “Pentateuco” deu-se devido ao fato de ser constituída por cinco livros, a saber: “Bereshit (No princípio); “Shemôt (Nomes); “Vaicrá (E chamou); “Bamidbar (No deserto) eDevarim (Palavras) na terminologia judaica. Nas Bíblias Cristãs estes mesmos livros são chamados de “Gênesis”; “Êxodo”; “Levítico”; “Números” e “Deuteronômio”. Isso acontece devido ao fato de a maioria das Bíblias cristãs usarem como base a Septuaginta e, conseqüentemente, nomes de origem grega ou latina ao invés de terminologias hebraicas.
A Torá é, sem sombra de dúvidas, a porção mais importante da Bíblia, visto que é a base para tudo que foi escrito depois, inclusive os escritos da Brit Chadashá (Nova Aliança).
O rei Davi tinha tanta consciência dessa importância que fazia profundas declarações de seu amor por ela: Salmos 1:1-3 - “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores, antes tem o seu prazer na lei (Torá) de Adonai (Senhor), e na sua lei medita de dia e de noite; pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará”.
Salmos 119:72 - “Melhor é para mim a lei da tua boca do que milhares em ouro ou prata”.

Yeshua começou seus ensinamentos dizendo: “Não cuideis que vim destruir a lei (Torá) ou os profetas: não vim revogar, mas cumprir; porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota (Yud) ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” - Mateus 5:17-19.
Depois, um dos seus discípulos escreveu: “Todo aquele que peca transgride a lei (Torá), porque o pecado é a transgressão da lei” - I João 3:4.
E a Bíblia encerra-se confirmando essa verdade: “Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à Árvore da Vida, e possam entrar na cidade pelas portas” Apocalipse 22:14.
 
Ki miTsion tetsê Torah, u’Devar Ha’Shem mirushaláim.
 
“Porque de Sião sairá a Torah, e a Palavra de ADONAI de Yerushaláim” - Isaias 2:3 / Miqueias 4:2.
 
Bendito seja O que deu a Torá para os filhos de Israel em sua Santidade!
 
 
Kipá
 

O “Kipá” é uma espécie de boina, semelhante a um pequeno chapéu em forma de circunferência, utilizado pelos judeus como símbolo de "temor a Deus". De acordo com a tradição judaica, o uso do Kipá está associado ao reconhecimento da superioridade divina sobre o ser humano, sendo um símbolo de humildade perante o criador e de submissão à sua vontade.


A maioria dos judeus utiliza o Kipá apenas em momentos solenes e de devoção, enquanto alguns utilizam-no o dia inteiro, ilustrando assim a necessidade de se temer a Deus em todos os momentos.

A origem do Kipá e o seu uso dentro do judaísmo não tem uma explicação satisfatória, mas é possível que tenha como base a cobertura que o sacerdote usava sobre a cabeça quando ministrava no Tabernáculo. Embora a determinação divina fosse que apenas os sacerdotes usassem, Israel é chamado por D-us de “nação sacerdotal”, isso pode ter influenciado a utilização de uma cobertura menor também para os israelitas comuns.
Durante muito tempo seu uso não era obrigatório. Foi devido ao perigo da assimilação que os ortodoxos, por volta do século XIX, instituíram a obrigatoriedade do uso. Algumas ramificações judaicas, como os Caraítas, por exemplo, não seguem esse costume. No Judaísmo Messiânico, a maioria das congregações não obriga nem proíbe o uso, fica a critério de cada um, uma vez que o cumprimento de tradições como esta, que não tem origem em mandamento bíblico, não torna o homem mais, ou menos justo.
 
Véu
 

 A tradição de usar Véu na cabeça por parte das mulheres vem de tempos remotos. Rebeca, mulher de Isaque, usava e isso prova que já era um costume naquela época: “...Então tomou ela o véu e cobriu-se” Gênesis 24:65. Tamar, viúva do filho de Judá, também: Gênesis 38:19.

O apóstolo Shaul (Paulo de Tarso) recomenda o uso no momento das orações: I Coríntios 11:13. É, talvez, por esse motivo que a Igreja Católica o adotou durante muito tempo.
Além do judaísmo e alguns ramos do cristianismo, é comum também o uso do véu entre as mulheres muçulmanas.

O Véu, semelhantemente ao Kipá, tem seu uso baseado na tradição, visto que não existe um mandamento específico na Torá (Pentateuco) a esse respeito. Por esse motivo, no Judaísmo Messiânico a maioria das congregações não obriga nem proíbe, fica a critério de cada um, uma vez que o cumprimento de tradições como esta, que não tem origem em mandamento bíblico, não pode tornar uma pessoa mais, ou menos justa. 

 
Mezuzá

A mezuzá, como conhecemos atualmente, é um rolo feito de pergaminho que contem as palavras de Devarim/Deuteronômio 6:4-9 e 11:13-21, afixada aos umbrais das portas nas casas das famílias de origem judaicas. O pergaminho com o respectivo texto da Torá é enroaldo dentro de um estojo, o qual é afixado na parte interna do umbral direito da porta (lado direito para a pessoa que entra na casa ou aposento) ou local de trabalho (exceto no banheiro), na posição diagonal, com o topo apontando para dentro e, aproximadamente, na altura do ombro de um adulto.
 
As escrituras recomendam que tais palavras sejam escritas: “Al Mezuzôt Beitecha Uvisharecha”, ou seja, “sobre os umbrais de tua casa, e nas tuas portas [ou portões]” - (Devarim/Deuteronômio 11:20).
 
De acordo com a recomendação bíblica é possível e, até mesmo mais lógico, que nos tempos antigos as respectivas palavras da Torá fossem escritas diretamente nos umbrais, de forma que pudessem ser lidas, não somente pelos moradores, mas também por todos os que entrassem na casa; mas em algum momento na antiguidade estojos, na forma como conhecemos hoje, foram criados para acomodar e ocultar o texto. É também possível e, igualmente lógico, que o texto da Mezuzá incluisse os “Asseret HaDibrot” (Dez Palavras/ Dez Mandamentos).
 
Provavelmente, a perseguição sofrida pelos filhos de Israel, algo constante em toda a sua história e principalmente durante a idade média, pode ter contribuído com a transformação da Mezuzá para a forma como a conhecemos hoje, visto que, a casa da família em que fosse detectado um trecho da Torá escrito no umbral da porta logo seria identificada como existindo ali pessoas praticantes da “Lei de Moisès” ou do judaísmo; algo que poderia ter como consequência a pena de morte; daí a necessidade de ocultar tais palavras. Por outro lado, é preciso reconhecer que existiam aqueles que viam no novo dispositivo uma espécie de amuleto, atribuindo ao mesmo certo poder sobrenatural, ferindo assim o propósito original.
 
Um exemplo disso são os termos que já foram usados por alguns rabinos, referindo-se a Mezuzá como um “dispositivo de segurança máxima”; que possui“uma qualidade especial diretamente conectada com a função de proteção”; que “atrai e conecta, preenchendo o espaço da casa com energia plena e colocando todos os habitantes sob proteção.”
 
Os Sábios do Talmude ensinaram: “coloque uma Mezuzá no umbral de sua porta e você estará protegido em casa e fora dela.”
Uma análise das Escrituras, desprovida de preconceitos, leva o indivíduo a entender que, não é o fato de se ter e ler a Torá ou a Bíblia completa que coloca o indivíduo sob a proteção Divina. É a obediência aos princípios nela estabelecidos que pode trazer esse benefício. Não basta conhecer, é preciso viver. E é exatamente esse o propósito central da Mezuzá: colocar o indivíduo em contato com a palavra de ADONAI de um modo simples e direto para que ela possa ser vivida e não apenas tocada ou lida.
 
Exemplos clássicos disso podem ser vistos na história dos antigos reis de Israel. O Eterno determinou que quando assumissem o trono, deveriam preparar para si uma cópia da Torá, e que a lesem todos os dias, para aprenderem a cumprir o que nela é ensinado (Devarim/Deuteronômio17:18-19); no entanto, sabemos o fim trágico de alguns deles, como foi o caso de Shaul.
Entende-se, a partir da recomendação bíblica, que as palavras da Mezuzá devem ser escritas de modo literal nos umbrais das portas. Mas Por que ADONAI iria pedir aos israelitas que escrevessem o Shemá e os Asseret HaDibrot (Dez Mandamentos) nos umbrais das portas? Existiria algum propósito para isso? Uma das respostas, e creio que lógica o bastante, é a seguinte: O povo nos tempos antigos não tinha acesso fácil às Escrituras. Os rolos eram caríssimos. Nos dias de hoje, pra se ter uma ideia, um Rolo de Torá ainda custa quase o preço de um carro, imagine naquela época.
 
Sabe-se com certeza que as pessoas comuns ouviam as palavras da Torá uma vez a cada sete anos, na festa de Sukôt (Tabernáculos): (Devarim/Deuteronômio 31:10-12).
Logo, nota-se um propósito claro e objetivo para a mitsvá (mandamento) ser escrita de modo visível ao invés de oculto: Possibilitar ao povo um meio de contato fácil e prático do trecho mais importante de toda a Torá: os Asseret HaDibrot (Dez Mandamentos). Segundo informação da própria Torá, esse é o único trecho das Escrituras que foi escrito pelo dedo do Próprio ADONAI. Tamanha importância é devido ao fato de ser uma espécie de resumo dos principais aspéctos da Torá.
Desse modo, todas as pessoas que passarem por nossas portas irão ter contato com a Palavra de Elohim. Além disso, todas as vezes que entramos ou saímos de nossas casas, lá estão as palavras do Altíssimo nos lembrando de qual deve ser a nossa regra de conduta.
 
Infelizmente, a eficácia decorrente do cumprimento desse mandamento, na melhor das hipóteses, ficou comprometida, a partir do momento em que a mensagem foi ocultada e reduzida à forma de um estojo.
Vale ressaltar que, até hoje, algumas comunidades que não seguem as normas tradicionais rabínicas escrevem as palavras diretamente nos umbrais, inclusive os Asseret HaDibrot .
Yeshua, ao citar o Shemá, acrescentou a expressão “de todo o teu entendimento (Marcos 12:30), ensinando assim que não basta recitar o Shemá, ou escrever as mitsvôt (mandamentos) nos umbrais; é preciso também que tenhamos a compreensão do que estamos fazendo.
O entendimento é parte fundamental para qualquer pessoa que queira andar nos caminhos retos do Senhor, por esta razão, seria mais importante que, ao cumprir a mitsvá (mandamento) da Mezuzá, enquanto parte da Torá, suas palavras fossem escritas, de preferência, em língua que os moradores da casa fossem capazes de ler e compreender, caso contrário, corremos o risco de mudar o seu propósito final que é exercitar a obediência.
 
O hebraico e a identidade judaica são muito importantes para um israelita, todavia, é preciso haver um equilíbrio adequado na aplicação de cada elemento. A compreensão das coisas que fazem parte da nossa realidade deve ser julgada de extrema importância, caso contrário, dificilmente alcançaremos o objetivo proposto.
 
Apesar de tudo que foi dito acima, é preciso que se tenha sabedoria na hora de lidar com tais questões na prática. Algumas tradições judaicas são muito antigas e devem ser tratadas com respeito, visto que muitas pessoas sinceras e honestas as praticaram e passaram para seus descendentes, pessoas muito amadas e dignas de honra. Além do mais, existe um conselho na Brit HaDashá (NT) escrito pelo Shaliach Shaul (apóstolo Paulo) que muito bem faz quem o toma para si: “Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume nem as congregações de D`us - I Corintios 11:16”.
De que adianta, ou que edificação trás, ficar discutindo com alguém que preferi seguir a tradição conforme recebeu dos seus pais ou mestres? A maioria das pessoas trata essa questão com a melhor das intenções possível, e ADONAI leva em conta exatamente isso, a intenção do coração (cavaná). Por exemplo: na casa onde moro, o visitante que entrar verá o texto da Mezuzá escrito de modo visível no umbral da porta, pois acredito ser essa a forma que melhor mantém o princípio bíblico da respectiva mitsvá (mandamento); porém, a Mezuzá da sinagoga onde congrego segue os moldes tradicionais rabínicos, e eu lido com isso sem nenhum problema.
Primeiramente é preciso que a paz encontre em nós um lar para fazer morada. Se, para ter razão, for preciso perder a paz, prefiro viver sem razão. Além do mais, as pessoas que a colocaram usaram da melhor intenção possível e tem suas consciências livres, visto que acreditam estarem cumprindo o mandamento, e isso tem que ser respeitado. Por outro lado, de que nos adiantaria escrever as santas palavras do Eterno, bem visíveis na entrada da casa, se elas não estiverem escritas também no coração?
 
Que ADONAI nos guie de acordo com a sua vontade!