A Páscoa Bíblica e o Messias

 

Seria muita pretensão dizer que este estudo expõe todos os significados que existem por trás dessa grande festividade, pois as revelações contidas nas Escrituras Sagradas são praticamente inesgotáveis, contudo, queremos mostrar alguns detalhes que acreditamos estarem bem patentes nos textos bíblicos.
 

Os feriados e festivais judaicos, dependendo da sua natureza, são chamados de Yom Tov (dia bom), chag (festa) ou taanit (jejum). A maioria dessas festas tem suas origens nas mitzvot (mandamentos) bíblicos.
As festas bíblicas são muito importantes, elas vão além de simples festividades; são peças de uma espécie de quebra-cabeça dentro de um cronograma de acontecimentos que tem lugar no plano de D`us para a redenção da humanidade. Pêssach (Páscoa) é a primeira delas e tem grande relação com a obra do Messias Yeshua, conforme veremos a seguir.
No capítulo 1º do livro de Shemôt (Êxodo) conta-se como iniciou o processo de escravidão do povo hebreu na terra do Egito; Pêssach, por sua vêz, comemora a libertação do povo dessa escravidão. A narrativa desse milagroso evento encontra-se no capítulo 12 do mesmo livro.
A Páscoa é a primeira das festas bíblicas e deve ser celebrada de geração em geração: (Êxodo 12:14) - “E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo”.
No segundo dia de Pêssach tem inicio a Festa dos Pães Ázimos, uma festa de sete dias durante os quais nenhum alimento fermentado deve ser ingerido. O fermento, durante esses dias, deve ser retirado até mesmo das casas. Fermento simboliza pecado, algo que deve ser retirado da vida de alguém que reconhece a soberania do Criador do universo e deseja andar em seus caminhos de justiça.
O “Erev Pêssach” (véspera de Pêssach) e o “Jejum dos Primogénitos” acontecem em 14 de Aviv (Nissan). O Seder (ordem da celebração) é preparado na tarde desse dia para ser realizado após o pôr-do-sol, quando começa o dia 15 de Aviv (primeiro dia dos pães ázimos). Porém, o cordeiro que era sacrificado para essa refeição deveria ser separado no dia 10 de Aviv: (Êxodo 12:3) - “Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro...”.
Com uma leitura atenta da Brit Chadashá (capítulo 12 do evangelho segundo Yochanan - João) nota-se que em um dia 10 de Aviv Yeshua entrou em Jerusalém de um modo diferente do seu costume; naquele momento, ninguémentendeu tal significado. Mas, por que será que Yeshua escolheu exatamente aquele dia. Que mensagem Ele estava querendopassar?
Montando o quebra-cabeça dos textos bíblicos percebe-se que, assim como o cordeiro da primeira Páscoafoi separado no décimo dia do primeiro mês, também o Cordeiro Perfeito estava sendo entregue por D`us aos israelitas no mesmo dia do ano, para lhes servir de sinal.
A determinação de ADONAI foi que o cordeiro da Páscoa fose sacrificado à tarde do décimo quarto dia: (Êxodo 12:6) - “E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde”.
Após ser julgado, na manhã do décimo quarto dia, Yeshua foi entregue para ser sacrificado, vindo a morrer no final da tarde desse mesmo dia, exatamente no momento em que o Eterno determinou que fosse sacrificado o cordeiro da festa: (João 18:28) - “Depois levaram Yeshua da casa de Caifás para a audiência, e era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem, mas poderem comer a páscoa.
(Mateus 27:46) - “E perto da hora nona exclamou Yeshua em alta voz... D`us meu, D`us meu, por que me abandonaste”?
(Lucas 23:53-54) - “E, havendo-o tirado, envolveu-o num lençol, e pô-lo num sepulcro escavado numa penha, onde ninguém ainda havia sido posto. E era o dia da preparação, e amanhecia o sábado”.
O “sábado” aqui, de acordo com o trecho que lemos acima do livro de João, trata-se do primeiro dia dos ázimos (15 de Aviv), conforme Êxodo 12,16.
O plano de D`us para a redenção da humanidade segue firme, e cada etapa tem seu cumprimento no tempo devido. Pêssach, por exemplo, teve sua primeira etapa cumprida no tempo da libertação no Egito a qual apontava para uma segunda etapa que se cumpriu com o sacrifício perfeito do Messias no tempo do domínio romano sobre Israel.
Pelas palavras do próprio Yeshua nota-se que Pêssach ainda terá seu cumprimento total e final no alvorecer do mundo vindouro: (Lucas 22:15-16) - “E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça, porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus”.
O rei Davi falando inspirado pelo Espírito de D`us, disse: “Bendito aquele que vem em nome do SENHOR; nós vos bendizemos desde a casa do SENHOR. D`us é o SENHOR que nos mostrou a luz; atai o sacrifício da festa com cordas, até às pontas do altar” (Salmos 118:26-27).
Na Brit Chadashá (escritos da Nova Aliança), acha-se escrito: “Então a coorte, o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Yeshua e o maniataram e conduziram-no primeiramente a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano” (João 18:12-13).
Davi falava de um cordeiro (animal) ao mesmo tempo em que profetizava, provavelmente sem saber, a respeito de um Cordeiro (homem) que viria enviado pelo prório D`us, e que também seria atado com cordas e levado ao sumo sacerdote, para depois ser sacrificado.
Um relato curioso aparece na seqüência desse texto:(João 18:14) - “Ora, Caifás era quem havia dito que convinha que um homem morresse pelo povo”. (João 11:51-52) - “Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Yeshua devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de D`us que andavam dispersos”.
A determinação divina era que o cordeiro a ser sacrificado fosse sem mancha: (Êxodo 12:5) - “O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula...”
Yeshua foi julgado inocente (sem mancha de pecado) por uma das principais autoridades da época: Mateus 27:19 e 24/João 18:38 e 19:4.
Ele foi condenado à morte por dizer ser quem realmente era, vindo, por esse motivo, a ser considerado blasfemo e mentiroso pelos que não creram em sua palavra: Mateus 26:63-65.
Seria tudo isso coincidência? Teriam-se equivocado aqueles judeus, discípulos de Yeshua, que escreveram os textos da Brit Chadashá (Nova Aliança)? De modo nenhum! (I Corintios 5:7) - “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós”.
O fato de Yeshua ter sido julgado e entregue à morte pelos sacerdotes e líderes do povo é exatamente o que legitima o seu sacrifício, pois, apenas os sacerdotes tinham a legalidade devida, concedida pelo Próprio ADONAI, para oferecer sacrifícios expiatórios.
O maior problema na vida de qualquer ser humano não são as pessoas ou situações que se colocam como inimigas; o maior problema na vida do ser humano é a transgressão (pecado) aos princípios estabelecidos pelo autor da vida e Criador de todas as coisas. Até mesmo na Brit Chadashá (Nova Aliança) vemos esse princípio perfeitamente preservado: (I João 3:4) - Todo aquele que comete pecado transgride a Torá, porque o pecado é a transgressão da Torá.
Com a nação de Israel esse princípio é ainda mais forte, pois a Torá/Pentateuco lhe foi confiada como regra maior de conduta, uma espécie de constituição; por isso a obra do Messias em sua primeira vinda não visava uma libertação política e sim a mais importante e fundamental de todas, a libertação espiritual que, embora, muitos não compreenderam e, conseqüentemente, não tomaram posse, continua disponível.
A morte entrou no mundo através de um só homem, por isso a solução para ela vem também através de um só, e assim o inimigo (Há Satan) ficou sem argumento, pois, YHWH (ADONAI), em sua perfeita justiça, permitiu a ele até mesmo tentar também o segundo homem (Yeshua) do mesmo modo como havia tentado o primeiro (Adam): (Lucas 4:1-13).
O Messias enfrentou todas as formas de tentação sem sucumbir, e por não cometer pecado pode vencer a morte, cuja existência é fruto da transgressão; e assim recebeu do Autor da vida (ADONAI) o direito de ter de volta a sua vida, pois aquilo que gera a morte Ele havia vencido; por isso “...ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem” - I Corintios 15:20.
De fato, “...o Messias, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (I Corintios 5:7).
Erros históricos e interpretações equivocadas da Brit Chadashá por parte dos gentios não invalida a obra profética do Messias judeu. A Páscoa, conforme celebrada pelo cristianismo tradicional, não atende a uma análise profunda da própria Brit Chadashá (o chamado Novo Testamento). Ela está, de fato, vinculada a Páscoa bíblico/judaica. Qualquer pessoa que esteja numa busca sincera do Messias tem que levar esse fato em consideração.
 
Escrito por José Edivaldo