O Ano Novo que o mundo não conhece

26/12/2014 18:27

O Ano Novo que o mundo não conhece

 

Nós, às vezes, permitimos a nossos olhos enxergarem as coisas somente da forma que nosso coração que vê-las.

Quando eu era criança, vivia e pensava como criança, sentia alegria quando chegavam datas importantes, especialmente o São João, Natal e Ano Novo, visto ter nascido numa família que assimilou completamente o catolicismo romano e estas eram datas de matar a saudade dos meus irmãos que moravam longe. Depois que me tornei adulto, fui forçado pela consciência a rever certas coisas que me causavam alegria, entre elas aquelas datas, até então, importantes para mim – São João, Natal, Ano Novo, etc. que, embora me proporcionassem alegrias, cheguei a conclusão que proporcionam tristeza ao meu Criador. Fui obrigado pela minha consciência a impedir meus olhos de continuarem a enxergar as coisas somente da forma que meu coração que vê-las.

Aconteceu no final do ano passado (2013) e novamente no final deste: certa tristeza toma conta de mim quando vejo o mundo inteiro em ferveção devido às festas do Natal e Réveillon.

No Natal vejo crianças à espera da “bondade” do Papai Noel e adultos, no mundo todo, a se comportarem também como crianças, esperando pela paz de um falso “Espírito do Natal”, o qual acreditam ser de Cristo (o Messias), más, que na verdade, Deste nada tem.

Mas, é mais precisamente sobre o Ano Novo que desejo falar aqui.

O mundo aceita as normas que a mais de dezessete séculos saem de Roma, e ignora muitas das contidas nas Escrituras sagradas (para judeus e cristão – a Bíblia), as quais tem origem em Jerusalém e não em Roma. O mundo deveria ser influenciado pela cultura israelita e não pela romana "...pois de Sião sairá a Lei (Torá), e a palavra do SENHOR, de Jerusalém" - (Isaias 2.3).

O Messias (Cristo) jamais vai presidir sua congregação/igreja desde Roma. A cidade Real do Reino dos Céus é Jerusalém, e é para lá que Ele vai voltar (a cidade do grande Rei – Sl 48:2/Mt 5:35), mas a Cidade Real do reino de Cesar (reino dos homens) é Roma e, por mais estranho que pareça, é de lá que a Igreja tem sido presidida a mais de dezessete séculos.
Essa afirmação causa revolta a muitos evangélicos, mas, basta olhar para apenas um dos muitos conceitos bíblicos, para se notar que o atual governo terreno da igreja está desalinhado do governo do Céu; emancipou-se desse último; tornou-se uma espécie de província rebelde, com leis próprias e divergentes da capital espiritual do Reino, e todos nós, judeus ou não judeus, somos afetados diretamente por isso:

O verdadeiro Soberano do Reino dos Céus disse o seguinte:
"E falou o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano" - (Êxodo 12:1-2).

Que mês é esse?  

Trata-se do mês de Abibe (Aviv - Primavera) em que o Eterno instituiu a Páscoa (Pêssach), e tirou o povo de Israel do Egito.

“Guarda o mês de Abibe, e celebra a páscoa ao SENHOR teu Deus; porque no mês de Abibe o SENHOR teu Deus te tirou do Egito, de noite” - (Deuteronômio 16:1).

Mas as nações da terra, em sua maioria absoluta, nem mesmo sabe que o SENHOR estipulou um calendário. Os chefes e líderes da Igreja sabem, mas preferem fechar os olhos para isso e subordinam-se ao governo de Cesar (poder romano perpetuado através do Sacro Império Romano – Igreja Católica Romana).

A presidência da Igreja passou para Roma e ainda continua lá, e as doutrinas básicas do protestantismo, embora seus líderes afirmem incessantemente que não, ainda tem aí suas raízes.
O ser humano, desde o Éden, parece sentir prazer em andar pela contramão dos caminhos que o seu Criador determinou.

Para modificar uma realidade é preciso conhecê-la e, tão importante quanto, é preciso querer. As pessoas mais inteligentes não são aquelas cheias de certezas, mas sim as que, mesmo estando cheias de dúvidas, procura saná-las.

Um problema sério no cristianismo é que muitos dos seus líderes não buscam no passado informações para concertar o que está errado e sim para justificar. A imparcialidade é indispensável ao bom julgamento e análise das coisas, porém, é algo difícil de alcançar, pois entra em sena o orgulho institucional.

Até mesmo o povo judeu, que tem uma obrigação maior em seguir os princípios bíblicos, tendo em vista ser confiados, primeiramente e principalmente, a esta nação tais princípios, também, em muitos casos, tem modificado a aplicação dos preceitos divinos e introduzido coisas estranhas.

No caso específico do calendário bíblico, embora este ainda seja seguido (principalmente no campo religioso) pelo povo judeu, inclusive fora de Israel, a forma correta de aplicação deste veio a receber elementos estranhos, que atrapalham o êxito de quem quer viver corretamente os preceitos bíblicos.

Por exemplo: embora o primeiro mês do ano, segundo o SENHOR, seja o mês de Abibe (Aviv),  os líderes judeus instituíram o sistema babilônico no que diz respeito ao início do ano e os nomes dos meses. Os meses receberam nomes de entidades/deuses - Nissan, Tamuz, etc. - e o primeiro dos meses do ano passou a ser o sétimo. O Supremo Soberano determinou o sétimo mês como simplesmente o SÉTIMO. Os “grandes” e influentes homens, no entanto, determinaram-no como o PRIMEIRO. O Rosh HaShanah no primeiro dia do sétimo mês, além de ferir o mandamento de que o ano deve começar no primeiro mês, ofusca o cumprimento de outro mandamento – a festa bíblica do Yom Teruá (Dia de tocar o Shofar) que acontece nessa data (Lv. 23:24)..

Até mesmo a observância da lua nova para determinar o início dos meses já não segue mais a exatidão requerida. Hoje já é possível corrigir esses erros, visto Israel já ser uma nação independente, livre do poder romano, mas não há essa preocupação por parte das autoridades.

Por causa de coisas como estas é que Yeshua HaMashiach (Jesus Cristo) disse aos líderes do seu tempo:  “Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição. Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas” – (Marcos 7:9 e 13).

A necessidade de restauração é uma realidade, embora muitos não aceitem essa ideia.

No tempo da primeira vinda do Messias (Cristo), muitos rejeitaram a linha tradicional dogmática dominante e abraçaram a restauração, reconhecendo os erros apontados por Yeshua; no entanto, a dificuldade de Yeshua diante dos líderes do povo era tão grande que Ele, mais de uma vez, foi expulso de sinagogas, quase apedrejado e a maior parte dos seus sermões aconteciam em casas ou lugares abertos onde os doutores não podiam impedi-lo de falar para o povo sedento que vinha ao seu encontro. Acredito que chegará um momento em que muitas das pessoas vão sentir a necessidade de voltar a se reunir nas casas ou locais desertos, pois as igrejas e sinagogas, aos poucos, irão se transformar em locais hostis para quem quer viver os princípios originas das Escrituras (Bíblia). É muito difícil para rabinos, padres e pastores aceitarem a ideia de que muitos dos seus dogmas e tradições ferem a verdade da palavra de Elohim (Deus). Nós, cidadãos comuns, não temos força o suficiente para mudar essa realidade e, restará apenas a opção da reunião em grupos como faziam os primeiros seguidores de Yeshua, aguardando pelo retorno Dele.

Como seguidor dos passos de Yeshua, Shaul (Paulo) dar uma definição do que vem a ser a expressão “agradar a Deus”:

...“a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” - (Romanos 8:7-8).

Para agradar a Deus, segundo Paulo, é preciso sujeitar-se à Sua Lei (Torah).

Os cristãos, porém, consideram-na algo obsoleto e com validade ultrapassada. Afirmam que o Novo Testamento é que é o parâmetro legal e encostam-se a este afirmando que a Lei (Torah) é somente para os judeus. Não aceitam a revelação profética de que a Nova Aliança é fundamentada nos mesmos princípios da anterior; a diferença é que esta será escrita no coração daquele que, de fato, aceita seu padrão de justiça:

“Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração...” - (Jr. 31:33).

Vale lembrar que, segundo esta profecia, a aliança seria com Israel; os não judeus que abraçam a aliança são introduzidos, conforme Shaul (Paulo) afirma em Romanos 11, porém, não há uma aliança para judeus e outra para não judeus, a aliança é uma só, e seus princípios comum a todos . “Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração...”.

Você já pensou nisso?

Este artigo trata da questão do calendário, mas é notório que em muitos outros aspectos a Lei do SENHOR é tratada com descaso por quem deveria amá-la.

A humanidade se comporta como uma orquestra, e HaSatan é o seu maestro.

Os santos (separados) para formar a orquestra do Messias Yeshua, precisam Tê-lo como maestro e a Instrução/Lei/Torah de ADONAI como partitura.

“Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Yeshua” - (Ap. 14:12).

Enquanto os cristãos tratam-na com descaso os líderes judeus, em sua maioria, acrescentaram fardos impossíveis de suportar.

Estes sãos extremos perigosos.

Como já dizia o Eclesiastes, não queira ser demasiadamente justo e sábio, nem demasiadamente ímpio (Ec. 7:16-17).

Acredito que o equilíbrio é sempre o melhor caminho.

O Eterno não precisa de grandes números para vencer batalhas, precisa apenas de fidelidade e reconhecimento que toda a Sua palavra é verdade e deve ser observada.

 

A vitória vem Dele.

 

Escrito por

José Edivaldo A. Cerqueira